"Para existir grandes escritores, devem existir grandes espectadores também."

quinta-feira, outubro 14

sexta-feira, outubro 8

Trapaça


Não existem pessoas desinteressantes, existem pessoas efusivas. Mistério e mentira são arte: De quem sabe o que quer!

Amar


Eu não obrigada a comer teus restos, e como. Me acomodo no que te sobra, jurando que um dia te fará falta. Eu não lhe devo admiração até que saiba da minha existência, e não sabe. Nunca irá saber. E, nunca deixarei de admirar, dói. E no lixo saio procurando, uma saída pra essa dependência, um defeito que seja, algo que eu faria diferente. Mas nunca faria quem é dos restos. Das sobras, daquilo que você nunca nota, e daquilo que eu torço pra um dia notar. Um dia eu canso, em dia sumo, desapareço. Fazendo mal pra quem vive do que me sobra, do que não quero. Rindo de quem depende de mim. Sinto tua vinda, sinto tua falta.

Vida


Eu não escrevo pra fora, eu não rabisco nem faço rascunho, vem fácil. Eu não escrevo pra ser lida, entendida, admirada ou compreendida: Eu só escrevo. Escrevo pra dar vida ao que tá dentro, da forma que é, sem embelezar nada. Eu não preciso de concentração nem de revisar, nunca foi preciso pensar pra sentir. Sai leve, tranquilo. Eu não escrevo por dinheiro, por trabalho ou por paixão. Escrevo apenas por respirar. Expira, respira. Escreve e lê. O ler vem depois, antes do ver e depois do sentir. Ás vezes enfia na gaveta, amassa, rabisca, ri. Acha que é loucura, que é desdenho, que é terrível. Mas o que importa é que escreve, pra viver.

quinta-feira, setembro 30

Coerente


Se fizer doer, diga então que é só por um tempo, longo ou curto, mas diga que tem fim. Se fizer sorrir, diga também que o que foi nunca muda, pois nessas horas o óbvio dito de forma doce, acalma. E, trás à mente milhões de outras formas pra confortar também. Então basta, faça somente o pouco que pode, mas faça que pareça ser muito, fazendo ainda parecer vago e incerto. Porque quando nos dão lacunas, corremos como nossa mente pra completar, e independente do quão doce ou amargo aquilo vir a ser, ainda acalma. Diga também um obrigado, e sorria depois. Um obrigado seguido de um sorriso demorado nos torna gratos por tudo, tudo aquilo que nem sempre somos, aquilo que nem precisamos ser, mas nessas horas é importante parecer. E então, lentamente, desvie os olhos e siga em frente deixando-nos para trás. E, se alguém ainda lhe perguntar o que foi, é, ou será, apenas responda: Vai sendo...

domingo, setembro 12

Fio



Não era egoísmo, fora mais forte, intenso. Justiça. No mundo dos sábios sem emoção, ela reina dentro dos próprios padrões. É crime o ato de perdoar, amar então, proibido. Priva-se do sentir, querer o desejado distante, milhões de quilómetros à fio. Fios de rádio, telefone, tv. Não pudera exigir nada além do que era dado, aceitava, como se não houvesse mais escolhas. Fora fácil esquecer, uma vez que não lembrava o que era. Perdeu-se pelo caminho, atropelado por novos sonhos construídos.
Era justo, compreenda a lei do tempo que anda em círculos, mas nunca volta atrás. Não disse adeus e foi-se rindo. Em meio a tanta amargura conveniente, eu aprendi a posar sorrindo.

sábado, setembro 11

Manual


Os olhos úmidos e a garganta seca, desproporcional. Não há mais nada em seu devido lugar, pelo fato de haver alguém no seu lugar, no meu, no nosso, naquele, naquilo. O antigo ocupado, se torna o preciso esquisito, perdido-esquecido. E por mais que a gente repita o quanto tudo tá errado, menos certo fica. E não acostuma, não é matéria decorativa, não é de pensar. Apenas sente. Sente o nariz ardendo e a garganta quente, e a gente pisca pra desfazer o que vem por aí: Controla as lágrimas, mas não controla os motivos. E a gente olha pra cima e pisca, achando que elas voltam de onde vieram. Mentira. Não de desfaz o que foi feito, resta então olhar pra cima. Controla as lágrimas, controla o medo, controla as lembranças e respira. Mas esquece que quanto mais alto olha, mas pra baixo a gente fica.

sexta-feira, setembro 3

Advantage


O amor pode durar todos os dias, mas nunca as 24 horas.

vantagem
proveito
benefício
superioridade
prol
predominância
defesa
imposição

Manipulador


Ataca, mas com cuidado, e foge. Não parece, justamente, a surpresa faz cegueira. Eu não disse pra provar do meu cinismo conveniente, veterano em matéria de propagar a dor. Acoita, abafa. O irreversível aparece somente nas ultimas cenas, pra todo contexto ter seu fim compensador, o silencio manipula, foge.
Enquanto é tempo.