"Para existir grandes escritores, devem existir grandes espectadores também."

sábado, julho 3

Soleira


A porta está fechada, não adianta bater.
foi trancada, trancafiada à mil chaves.
Não adianta girar a maçaneta.
A luz se apagou.
Pra que espiar por entre suas frestas?

Não há mais o tapete convidativo rente à entrada.
Não se aconchegue.
O chão esfriou. Os pés esfriaram, os joelhos esfriaram.
tornou-se doloroso aguardar.

Não se iluda.
Não compensa.
Não se encolha, nada te acolhe.
Não adianta esperar, não tem ninguém à tua espera.

Engula as lágrimas, poupe teu liquido, poupe teu barulho, brilho.
Ninguém irá te ouvir, ninguém virá te secar.
O frio já mora dentro, não o deixei vir á tona.
A fome não compensa, vá embora.

A dor não te contenta?

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