"Para existir grandes escritores, devem existir grandes espectadores também."

quinta-feira, maio 6

A última vez


Não é segredo, você sabe que esse meu gostar já foi tão forte, a ponto de dor. Incrível era como você me doía ás vezes, como abalava minha vida. Nunca mais. Essa dor doente, dor de amor. Nunca mais doeu. Vivia em meio de provas de dor, provas de amor. Vivia e morria, todos os dias. Era incrível o quanto me comovia. Como eu queria ainda querer mudar isso, achar a solução como sempre fazia, especular, desfazer. Como eu queria ainda me doer, te doer. Mas não essa dor que se apela, essa dor do fim. A mais aguda, a mais persistente. Podia passar, e voltar outra vez, mas nós sabemos que ela é a única dor que pode nos comover agora. Eu sei, eu também te entendo, o abalar não abala mais, é inútil insistir, eu sei. Essa doe diferente, mais amarga, sem o recomeço pra adoçar. Mas pense assim, é a ultima vez... Como eu queria ainda querer mudar isso, e me doer, e... Te doer. Mas não, não quero mais.


Com o coração você não vai muito longe. Sem o coração você não vai à lugar algum.

terça-feira, maio 4

Estampando


Sempre me pego rodeada por pessoas que ainda vêem tatuagens com um ar de desconfiança. Atribuem à ela uma marginalização preconceituosa sem tamanho, e à seus adeptos, sempre o mesmo título, independente do significado ou da tatuagem em si. Perdoam ás vezes quando é nome dos pais, dos filhos, do Deus que acredita. Ás vezes, nem isso. As vêem como uma agressão sem tamanho ao corpo, e insistem em afirmar que são pra sempre. Pra sempre? Não as minhas. E se quer saber, nem eu. Tatuagens não celebram uma rebeldia, e sim, uma realização pessoal. Uma crença, um momento eternizavel. Um significado considerável. Tatuagens não duram pra sempre, duram uns 5 anos, uns 50 anos. Mas o pra sempre, apenas outras coisas muito alem disso, contam. Muito além disso.

Mal cabe no amor


Depois de você, vi que amor não se espera, é de cara, não é consequencia de estar sempre junto. Que convivência é o resultado, não o início pro amor nascer. E, que relacionamento é então obrigatório, a vontade não passa de vez em quando, ela só cresce, dia pós dia. Depois de você os outros nunca foram nada, boas companhias, suportáveis. Eu morreria se te perdesse por um dia sequer, se não o visse um dia sequer. O ciumes é imenso, é medo, medo, medo. De perder, de amar mais. É a certeza de amar mais! Eu sei, eu amo mais. Eu disse muito antes o primeiro eu te amo, e, demorei séculos pra te conquistar. Você é meu rumo, minha vida. Aonde você for, eu vou, e sem você, não vou pra lugar algum. Amor não cresce, amor explode. Não tem altos e baixos, vive estourando seu próprio limite, cada segundo. O desinteresse não cabe no amor. A distancia não cabe no amor. O tempo não cabe no amor. Se cabe, amor nunca foi. Logo: O amor que sinto, mal cabe no amor.

Mais uma manhã


Sofrer cansa, consome. Te exige tempo, paciência e um estômago gigante pra digerir suas infelicidades todas as manhãs, quando levanta-se da cama. É olhar no espelho, e ver a pior expressão possível e ainda reafirmar: Hoje vou sofrer igual ontem, ou mais. Ou mais. Mais! É um extremo sacrifício com o que você deveria ter de amor próprio. Um assassinato, bem por aí. Não é mais fácil lavar o rosto, se trocar e sair por aí distribuindo sorrisos pra fisgar alguns de volta, com gosto de ânimo. Não é não. O legal mesmo é voltar pra cama e se perder mais um dia, dentro dos seus próprios medos e inseguranças. Eu poderia perceber que tenho mais uns cinquenta anos de vida no mínimo e tô perdendo mais uma manhã aqui, mas pra que? Ainda tenho mais uns cinquenta anos de manhãs que posso acordar animada. Acaba-se pensando assim pelos próximos cinquenta anos. Mas sofrer, pensa, é uma prova de atitude, de concentração. Você não pode nem rir do seriado da tv, se ri, logo disfarça - Já foi melhor - é um esforço gigantesco sair assassinando os vestígios de felicidade que tentam te contagiar por aí. Então aquela nuvem preta que fica sobre a sua cabeça começa a te acompanhar por aí, cuspindo trovões e raios em todos aqueles que tentam te animar, afinal, sofrer necessita concentração. E você até decora as virgulas e os choros de cada parte da história que passa a contar a qualquer um que dê uma brecha pra se contagiar com seu sofrimento. Pra sofrer é necessário vocação. E quer saber? Eu passei a ter preguiça de sofrer.

Esperar, esperar e esperar


A maioria das coisas boas da vida, a gente anda esperando pra ter. Anda esperando ter dezoito anos, ter um carro, carta. E mesmo quando ainda falta cinco anos, você sabe que dali cinco anos aquilo vai chegar. Isso não te faz querer mais, nem menos. Se te faz querer, é porque já queria. É por simplesmente querer. Sem essa ideia de tempo ou qualquer imprevisto que venha à acontecer. O amor deveria ser assim. Uma pessoa, e pronto. Você espera! Você espera ela perceber que também te ama. Espera ela mudar pra sua cidade. Espera ela aprender que seus signos combinam. Que você é o amor da vida dela. Pronto, isso é amor. Esperar. Viver por aí enquanto não se tem o tal amor é arriscado. Deveria ser crime também, como dirigir antes dos dezoito. Ou ser barrado, como tentar entrar em um bar antes dos dezoito. Viver por aí procurando um substituto que te queira, é arriscado. Afinal, o amor é isso. Esperar. Devia dar multa também, fingir que ama quem não se ama. Ou estar com outra pessoa pelo simples motivo de não poder estar com quem se quer. Que necessidade é essa? Um sentimento egoísta de possuir o coração dos outros enquanto você sente alfinetadas no seu? É a compensação da sua dor? Não. É só uma prova de que você também pode. Afinal, a maioria das coisas boas da vida, a gente anda esperando pra ter. Também sempre acha que nunca tem. Mal agradecidos uni-vos!

domingo, maio 2

Porque eu quero


Não existe buraco que te faça amar o ambiente, que te faça suportar a situação. Por mais fundo que seja, não existe um que o faça continuar cavando. Você pode gritar, subir, escorar, pedir ajuda. Mas é justamente a certeza de sair do buraco que te faz amar o buraco. Você ama o buraco inconscientemente. Você quer estar ali. Logo começa a nascer o buraco do buraco, e depois, o buraco do buraco buraco. Um só não te contenta, por ainda não ter terra em cima. Se o caos te basta, pra que a ordem? Se o caos te convém, pra que a certeza? Se o caos te sustenta, pra que ajuda? Se o caos te comanda, pra que o rumo? E quem disse que é isso que o buraco te traz? O buraco é seu, você sente o que quer. A saída tá bem na sua cara, mas aí você já ta amando o buraco demais pra sair. É por isso, justamente por isso que, não saio atirando cordas salva-vidas por todos os buracos que encontro com gente dentro. E por favor, não as no meu.

Maneira justa


Nem por fora, nem por dentro. Julgo pessoas pelo que me fazem sentir! O dentro não existe sem o fora, e o fora sem o dentro, não adianta existir.

Shhh


A verdade não me merece, opinião demais é perigoso. E, quando se trata de dosagem, até ajuda demais pode ser perigoso. Até bondade demais pode ser perigoso. Até compaixão demais pode ser perigoso. E quando se trata de opinião, verdade demais é perigoso.

Relativo a seleção


Não escrevi mais nada que prestasse, quando tudo passou a prestar demais.